sexta-feira, 26 de outubro de 2007

nossss


Junior comprou um cd com os Clássicos, hinos,
antigos, comoventes.
ele veio acompanhado, para mim, de muitas saudades
da lembrança constante da infância, do Aporá, de uma
época que eu nunca nem sabia de nada...
Éramos tão cheios de imaginação e pureza.
Íamos sempre nas férias para a roça, pra casa das tias
Minhas memórias são curtas, eu era muito nova,
Mas lembro das cobras que cruzavam nosso caminho,
Do maluco que fazia montinhos de areia na estrada,
Do gosto de pamonha da casa de tia Estela,
Da fogueira para clarear a noite, e de ver tantas estrelas
Que nem jamais meus filhos verão.
Tinha o leite tirado na hora, do peito da vaca, quentim
De quando corríamos até chegar no rio pra tomar um banho.
Nunca gostei de roça, mas ia, a melhor parte era na estrada
Mãe sempre colocava a gente em cima de algum carro de boi
Pra poder descansarmos – porque íamos andando – mas era muito
Chato, lento e barulhento, mais adiante sempre descíamos e íamos
Tentando pegar o sol, adivinhando o que as nuvens formavam,
Imaginando mil coisas dentro do impossível da mente de uma criança.
Odiava o escuro excessivo das noites na roça, o cheiro do candeeiro, da lenha
Odiava que não tinha chuveiro, tinha pavor das cobras...
Mas estou feliz por ter vivido tudo isso, Abner não sabe o que é isso, Lucca também
não vai saber, mas eles sabem outras coisas, essas memórias são da minha
geração.
Era uma outra época, não tão distante no tempo, mas muito nos saltos que a
tecnologia deu. Ela roubou muito da nossa inocência, da nossa meninice.
Nada ainda esta perdido, basta usarmos nossa velha imaginação, e tentar passar coisas pro nossos pequenos, para que eles sejam grandes em criatividade...como fomos.
Eu tinha esquecido de que existiam brincadeiras simples como cabo-de-guerra, baleado, brincadeira de roda, as marias,
Nossa vocês nem acreditam que eu e meus amigos uma vez juntamos latas de óleo e construímos um helicóptero. Ele enferrujou rápido mas valeu a experiência., todas a espigas de milho que me foram bonecas, valeu, todos os túneis construídos nas areias da vizinhança, valeu! Todos os bolos feitos de barro...nósssssssssssssssss...
Tanta coisa,...fui longe agora,,,bem ali na esquina, antes dos 10 anos, antes de tudo mudar.
Pega ela, pega aquela menina descalça, remelenta, briguenta e inteligente, viajante de um mundo fantástico, colorido ...pega!
Há quem me ache nostálgica, mas são memórias que escrevem minha alma, descrevem meu caminho e determinam o meu futuro, quero deixa-las escritas, para que um dia, quando minha mente estiver se apagando, eu venha me encontrar com minhas outras meninas...

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